No ano de 1657, um capitão paulista ascendia a serra e deu o nome de São Roque ao povoado em devoção ao santo que protege contra pestes. Atualmente, São Roque integra a lista das 29 estâncias turísticas do estado de São Paulo e é a única cidade no Brasil que denomina uma variedade de alcachofra.
Da Trilha dos Bandeirantes à Estância Turística do Interior Paulista
A fundação da cidade ocorreu em 16 de agosto de 1657, pelas mãos do capitão paulista Pedro Vaz de Barros, mais conhecido como Vaz Guaçu, O Grande. O nome da localidade presta homenagem ao santo católico defensor contra as pestes, a quem o fundador era devoto.
Em 1681, Fernão Paes de Barros, irmão do fundador, ergueu a Capela de Santo Antônio, que se tornou um ponto de parada para os bandeirantes que navegavam pelo Rio Tietê à procura de ouro e esmeraldas. A cidade obteve status de vila em 1832, tornando-se município em 1864.
Em 1990, a cidade foi reconhecida como Estância Turística pela Secretaria de Turismo de São Paulo, que destacou seu potencial histórico, artístico, cultural e ecológico. Desde então, São Roque se posiciona como um dos principais destinos de enoturismo do estado.
São Roque-SP é famosa pela Rota do Vinho, Ski Mountain Park e Mata da Câmara, consolidando sua reputação como a capital paulista do enoturismo serrano preservado. // Créditos: Wikipédia
Por que São Roque é conhecida como a Terra do Vinho paulista?
Isso se deve ao fato de que na cidade foram plantadas as primeiras videiras do Brasil no século XVII, sendo posteriormente fortalecida pela presença de imigrantes portugueses e italianos no final do século XIX. Atualmente, o Roteiro do Vinho conta com mais de 30 produtores em um trajeto de 10 km por estradas rurais.
O percurso, que pode ser feito gratuitamente, abrange três vias: Estrada do Vinho, Estrada dos Venâncios e Rodovia Quintino de Lima. No caminho, vinícolas de longa data compartilham espaço com pesqueiros, pequenas fazendas, plantações de alcachofra e restaurantes que oferecem a rica culinária portuguesa, italiana, espanhola e uruguaia.
A Quinta do Olivardo preserva a tradição portuguesa do Vinho dos Mortos, uma técnica desenvolvida em 1807 durante as invasões napoleônicas. Para proteger as garrafas dos franceses, os portugueses as enterravam e, assim, descobriram que a temperatura e a escuridão podiam alterar o sabor do vinho.
São Roque-SP também promove roteiros familiares com acesso a fazendas e parques de aventura, garantindo experiências rurais seguras. // Créditos: Wikipédia
O que explorar entre vinícolas, plantações e patrimônio colonial?
A cidade mescla enoturismo com igrejas históricas, museus e atrações surpreendentes, como um bar de gelo. Muitos visitantes optam por passeios de um dia, mas é recomendável passar ao menos dois dias para explorar todas as opções disponíveis.
- Vinícola Góes: uma das mais clássicas do Brasil, produz vinhos e espumantes desde 1938, situada em um casarão de estilo português com lago de carpas e jardim de lavandas.
- Quinta do Olivardo: um centro gastronômico onde se pode degustar o Vinho dos Mortos à luz de velas e ouvir fado ao vivo, sempre na terceira sábado do mês.
- Vila Don Patto: o maior complexo gastronômico da rota, com adega, diversos restaurantes, cafeteria, e uma representação cenográfica de barco, oferecendo vinhos com mais de um século de tradição.
- Ice Bar Torquay: um bar de gelo na Estilla Destilaria, proporcionando uma sensação térmica de -16°C, com tronos, bonecos e um escorregador feito de gelo.
- Igreja Matriz São Roque: fundada em meados do século XVII, é a maior igreja do Brasil dedicada ao santo padroeiro, adornada com vitrais em mosaico.
- Centro Cultural Brasital: antiga fábrica de tecelagem agora abriga oficinas culturais, trilhas ecológicas e realiza o Festival de Inverno da cidade em julho.
A alcachofra roxa que só é cultivada em São Roque
A alcachofra chegou ao Brasil com imigrantes italianos no início do século XX e encontrou no clima serrano da região as condições ideais de cultivo. Isso fez de São Roque uma das principais produtoras do país e originou a variedade mais popular: a alcachofra roxa de São Roque.
A coloração característica deve-se a uma técnica exclusiva dos produtores locais, que protegem os botões com sacos de papel ou jornal contra a luz solar. O município gera mais de 4 milhões de cabeças por ano, conforme pesquisa do curso de Turismo da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Prefeitura.
A safra ocorre entre setembro e novembro, período em que restaurantes apresentam cardápios especiais durante o Festival da Alcachofra, que abrange pratos que vão de hambúrgueres a bacalhadas com a flor. Estabelecimentos como o Empório e Quintal das Alcachofras e o Restaurante Bonsucesso cultivam suas próprias plantações e servem os produtos frescos da colheita.
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Uma experiência gastronômica ibérica com toques serranos
A influência portuguesa e italiana reina nos menus, com adições recentes da gastronomia espanhola e uruguaia. Grande parte dos restaurantes está localizados dentro das vinícolas do Roteiro.
- Leitão à Bairrada: prato tradicional português assado em forno a lenha, especialidade da Quinta do Olivardo, preparado segundo a receita clássica da região portuguesa.
- Bacalhau à moda do chef: o prato símbolo dos restaurantes ibéricos da região, acompanhado de batatas e azeite português.
- Alcachofra recheada: prato sazonal disponível entre setembro e novembro, servido como entrada ou prato principal.
- Bolinho de bacalhau: aperitivo que dá início às degustações harmonizadas na Quinta do Olivardo, tradição mantida desde a fundação do estabelecimento.
- Vinhos finos brasileiros: rótulos como o Philosophia da Vinícola Góes, um cabernet franc que elevou os vinhos paulistas ao cenário nacional.
São Roque-SP inspira com suas paisagens de vinhedos e mirantes encantadores, chamando a atenção dos amantes de sabores e da natureza acolhedora. // Créditos: Wikipédia
Qual é a melhor época para cada tipo de passeio?
O clima ameno da serra favorece uma visita durante todo o ano. O verão é a época de vindima, enquanto a primavera é marcada pela florada das alcachofras. No inverno, a beleza dos plátanos realça o clima aconchegante das caves.
Média: 17-28°C
Chuva: ⛈️ Alta
As temperaturas quentes e as chuvas típicas caracterizam o período festivo das vinícolas, ideal para celebrar a Vindima e a colheita de uvas.
Média: 14-25°C
Chuva: 🌦️ Média
A diminuição das temperaturas e a mudança da vegetação criam um cenário natural perfeito, propício para desfrutar os plátanos cor de cobre e passeios de bicicleta.
Média: 8-21°C
Chuva: ☀️ Baixa
O frio típico sugere momentos de introspecção e apreciação da gastronomia, consolidando a alta temporada dedicada ao prestigiado Festival de Inverno e degustações.
Média: 12-25°C
Chuva: 🌦️ Média
Com a reflorescimento dos campos e clima ameno, o turismo gastronômico se destaca, especialmente nas festividades do Festival da Alcachofra e florada.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
São Roque-SP destaca-se pela Rota do Vinho, Ski Mountain Park e Mata da Câmara, consolidando-se como a capital paulista do enoturismo serrano. // Créditos: Wikipédia
Como chegar à Terra do Vinho a partir da capital?
São Roque está a 65 km de São Paulo, acessível pela Rodovia Raposo Tavares (SP-270), realizando o trajeto em cerca de uma hora fora dos horários de pico. Uma alternativa é pegar a Rodovia Castello Branco (SP-280) e, em seguida, a Rodovia Prefeito Livio Tagliassachi.
Para quem vem de Sorocaba, a distância é de apenas 35 km pela mesma Raposo Tavares. O aeroporto mais próximo é o Aeroporto Internacional de Guarulhos, situado a 95 km, com voos nacionais e internacionais. Não há linhas de ônibus diretas para o Roteiro do Vinho, tornando o carro a melhor opção para explorar as estradas rurais.
Visite a estância turística criada por bandeirantes
A cidade abriga o berço da vitivinicultura brasileira e uma variedade única de alcachofra, além de um patrimônio colonial preservado, a menos de uma hora da capital paulista. Poucos destinos oferecem vinhos de qualidade, rica história bandeirante e um bar de gelo em um único lugar.
Você precisa visitar São Roque e saborear a flor que leva o nome da cidade e o vinho que os portugueses descobriram enterrar para esconder de Napoleão.
