Nova espécie ameaçada descoberta em gruta brasileira surpreende pesquisadores

Uma recente descoberta científica destacou Mauá, na área metropolitana de São Paulo, como um importante ponto na espeleologia global. Especialistas da Universidade de São Paulo (USP) e do Grupo Pierre Martin de Espeleologia (GPME) encontraram na Gruta de Santa Luzia uma nova espécie de caranguejo-de-rio, denominada *Aegla tamanduatei*.

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Esta descoberta, divulgada em 2025 na revista *Zoological Studies*, foi considerada histórica, especialmente por ter sido realizada em uma área altamente urbanizada e sujeita a variados impactos ambientais.

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Uma década de pesquisas

O primeiro avistamento do crustáceo ocorreu em 2012, durante um levantamento topográfico na gruta. Após mais de dez anos de estudos morfológicos e genéticos, a equipe conseguiu confirmar que se tratava de uma espécie nova.

O gênero *Aegla*, ao qual esse caranguejo pertence, reúne 72 espécies conhecidas na América do Sul, todas relacionadas a ambientes de difícil acesso, como rios subterrâneos, lagos isolados e cavernas. No Brasil, até então, só havia registro de dez espécies endêmicas, todas nas regiões Sul e Sudeste.

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Raridade e vulnerabilidade

Com um tamanho de apenas dois a três centímetros, o *Aegla tamanduatei* nasce naturalmente vulnerável. Este crustáceo é encontrado exclusivamente na Gruta de Santa Luzia, ou seja, não existe em nenhum outro local do mundo.

Sendo extremamente sensível às mudanças ambientais, sua sobrevivência está intimamente ligada à qualidade da água que emerge nas nascentes do Parque Ecológico da Gruta Santa Luzia, uma área de conservação que abriga 450 mil m² de Mata Atlântica remanescente.

Desafios urbanos e ameaças à nascente do Tamanduateí

A nova espécie habita exatamente no local de origem do Rio Tamanduateí, um dos mais significativos da Região Metropolitana de São Paulo. A bacia abrange 320 km² e faz parte do sistema Billings–Tamanduateí, crucial para o abastecimento de água do Alto Tietê.

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Embora a nascente seja protegida, o Rio Tamanduateí enfrenta há muitas décadas a deterioração provocada pela urbanização, canalização e poluição. As águas retas, resultado de intervenções que eliminaram as curvas naturais, transportam os impactos da urbanização para áreas mais sensíveis do ecossistema.

Considerados bioindicadores ambientais, os crustáceos do gênero *Aegla* respondem rapidamente à presença de poluentes. Portanto, essa descoberta sublinha a necessidade urgente de ampliar a proteção da gruta e das nascentes associadas.

‘Nunca pensamos que encontraríamos uma espécie tão ao norte’

Para os pesquisadores, essa descoberta desafia as expectativas.

“Conhecemos essa caverna há mais de 40 anos, mas nunca consideramos a possibilidade de encontrar uma espécie tão ao norte e em uma área tão urbanizada”, comentou o espeleólogo Ericson Igual, um dos responsáveis pela descoberta, em entrevista ao portal Conexão Planeta.

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O registro do *Aegla tamanduatei* já é visto como um marco para a ciência brasileira e um alerta sobre a importância de preservar os últimos resquícios da Mata Atlântica ainda existentes na Grande São Paulo.





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