Corinthians classifica mais de R$ 700 milhões em dívidas diversas como ‘perda provável’

O Corinthians notificou a Justiça de São Paulo sobre uma quantia superior a R$ 700 milhões referentes a “perdas potenciais” nas ações judiciais que tramitam nos tribunais paulistas contra a equipe.

Essa informação está presente em documentos anexados pelo clube do Parque São Jorge, no contexto de seu RCE (Regime de Centralização de Execuções), que está em andamento na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

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A ESPN teve acesso ao arquivo e o clube confirmou os dados, esclarecendo que “esses valores não representam dívidas definitivas e exigíveis, mas sim projeções processuais que podem ou não se concretizar no futuro”. Veja abaixo a declaração completa do Corinthians.

Entre as obrigações que podem acarretar perdas prováveis, destacam-se débitos com empresários, atletas que já passaram pelo time e outras quantias variadas. O montante referente apenas a agentes é de aproximadamente R$ 300 milhões.

Desse total, a maior parte corresponde ao empresário Giuliano Bertolucci, devido a comissões de jogadores como o ex-volante Ramiro. Carlos Leite reclama mais de R$ 70 milhões a receber, envolvendo transações de atletas como Cássio, Fagner, Camacho, Renato Augusto, entre outros. O agente André Cury também figura na lista, com mais de R$ 40 milhões registrados.

As dívidas com autoridades públicas também são significativas, ultrapassando R$ 300 milhões, distribuídas em diversas ações. Ex-atletas como Gil, Robson Bambu, Thiaguinho, Giuliano e Ederson têm cerca de R$ 40 milhões em disputas nos tribunais.

Há ainda algumas situações peculiares, como uma dívida de R$ 10 milhões com a família de Tim Maia e a produtora Warner/Chappel, conforme reportado pela ESPN na semana passada. Em outra questão financeira, o clube enfrenta um compromisso de R$ 16 milhões por não ter realizado o plantio de 76.400 mudas de árvores, que deveria ser feito como contrapartida pela área onde construiu seu CT, no Parque Ecológico do Tietê.

Além disso, o clube anotou R$ 1,2 milhão como valor de uma ação decorrente de um acidente de trânsito. Um homem foi atropelado por uma kombi pertencente ao clube, utilizada para transportar alunos de sua escolinha. O Corinthians foi incluído na ação, complicando sua situação legal.

Recentemente, a Justiça de São Paulo aprovou o plano de pagamento apresentado pelo Corinthians no RCE para quitar suas dívidas. O valor inicial aceito foi de R$ 190 milhões para algumas execuções prioritárias, mas essa quantia pode aumentar conforme novas ações forem adicionadas ao cronograma de pagamentos.

O tribunal decidiu, em uma determinação divulgada nesta quarta-feira (21), que o clube deve iniciar as quitações a partir de março, utilizando as receitas obtidas em fevereiro.

Abaixo, confira a nota oficial enviada pelo Corinthians:

“O Sport Club Corinthians esclarece que os valores mencionados no documento (em conformidade com o art. 16 da Lei nº 14.193/2021) referem-se a estimativas auditadas de contingências.

Pela legislação do RCE, o Clube é obrigado a listar todos os processos (tanto em fase de conhecimento quanto em fase de execução), categorizando-os como perdas ‘prováveis’, ‘possíveis’ ou ‘remotas’. Portanto, esses dados não representam dívidas líquidas, certas e exigíveis, mas sim previsões processuais que podem, ou não, se concretizar no futuro.

A aprovação do RCE é, por si só, uma evidência da viabilidade financeira do Clube. O plano foi elaborado precisamente para estruturar, organizar e assegurar a quitação do passivo real, garantindo que o fluxo de caixa do Corinthians suporte as obrigações acordadas sem comprometer a operação da instituição.

A auditoria feita internamente reflete o compromisso do Corinthians com a transparência e com o adequado cumprimento legal do RCE. Trata-se de um exercício de governança, e não de um passivo imediato que deva ser quitado integralmente no curto prazo.”





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