Localizada a 296 km de São Paulo, no coração do estado, Jaú é uma cidade que ostenta uma impressionante variedade de recordes. Ela foi a quarta área urbana no Brasil a receber energia elétrica, em 28 de setembro de 1901, posicionando-se logo atrás de grandes metrópoles da época. Jaú abriga mais de 400 casarões históricos do período do café em seu centro, é o lar do hospital que realiza o maior número de transplantes de medula óssea na América Latina, e é onde nasceu o aviador que cruzou o Atlântico Sul pela primeira vez em 1927. Mais recentemente, em 2021, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) conferiu à cidade o título de Capital Estadual do Calçado Feminino, com uma produção impressionante de até 120 mil pares de calçados diariamente.
Da pesca no Tietê à Barra do Juruí
A origem da cidade é bastante singular. No século XIX, bandeirantes que navegavam pelo Rio Tietê capturaram um enorme peixe, um jaú, na confluência de um pequeno ribeirão. O local passou a ser conhecido como Barra do Juruí, enquanto a rica terra roxa da região atraiu famílias provenientes de Itu, Porto Feliz, Capivari e do sul de Minas Gerais. No dia 15 de agosto de 1853, uma comissão liderada por Bento Manoel de Moraes Navarro, Capitão José Ribeiro de Camargo, Tenente Manoel Joaquim Lopes e Francisco Gomes Botão estabeleceu a fundação oficial do povoado.
A cidade prosperou rapidamente. Nas décadas seguintes, Jaú se firmou como uma das principais produtoras de café do Brasil e começou a escoar sua produção pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Em 1907, a cidade era a líder entre as estações da companhia em termos de quantidade de café enviado para o Porto de Santos. Hoje, conforme informações do Alesp, Jaú possui cerca de 150 mil habitantes e apresenta um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,778, considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
1901: a quarta cidade a ganhar luz elétrica no Brasil
A riqueza gerada pela cultura do café impulsionou um desejo de modernização que destacou Jaú em relação a grande parte do país. Com a inauguração da Companhia de Força e Luz do Jahú em 28 de setembro de 1901, o município se tornou a quarta cidade do Brasil a contar com iluminação elétrica, ficando atrás apenas de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Em 1922, dados históricos indicam que Jaú registrava um número médio de chamadas telefônicas por aparelho superior ao das centrais de São Paulo e Rio de Janeiro.
O legado arquitetônico dessa época permanece intacto. Existem mais de 400 edifícios do período preservados no centro histórico, exibindo estilos eclético e neogótico, protegidos por legislação municipal. A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Patrocínio, inaugurada no mesmo ano da chegada da luz elétrica, possui vitrais e órgão de origem alemã, telhas francesas e piso hidráulico original, sendo um notável exemplo do estilo neogótico ainda em funcionamento com materiais europeus.
Jaú: Capital Estadual do Calçado Feminino, com 120 mil pares por dia
A vocação industrial de Jaú começou por volta de 1900, com a chegada do imigrante italiano Giuseppe Contatore, que fundou a primeira sapataria na cidade. Na década de 1930, Jaú já apresentava um polo vibrante de empresas de couro e oficinas de calçados, que formam a base da industria atual. Essa consolidação ocorreu anos depois. Em 16 de dezembro de 2021, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou a Lei Estadual 17.476, que oficializou Jaú como Capital Estadual do Calçado Feminino, reconhecendo a alta concentração da indústria no estado.
Os números são impressionantes. De acordo com o Alesp, a cidade abriga cerca de 200 empresas do setor, gerando em torno de 10 mil postos de trabalho diretos e produzindo entre 112 mil e 120 mil pares de sapatos diariamente. Toda essa produção é reunida em um único espaço: o Território do Calçado, um shopping a céu aberto situado na Rodovia SP-225 (Jaú-Bauru), saída km 184, considerado o maior centro comercial especializado em calçados femininos da América Latina. O local recebe mais de 50 mil visitantes anualmente, incluindo consumidores e lojistas de todo o país.
Hospital Amaral Carvalho: um marco na saúde com recordes em transplantes
Um dos pilares de Jaú é sua infraestrutura de saúde. O Hospital Amaral Carvalho, fundado em 1915, é uma referência nacional no tratamento de câncer e lidera o número de transplantes de medula óssea na América Latina. Dados divulgados pela instituição revelam que o hospital atende pacientes de mais de 900 municípios brasileiros pelo Sistema Único de Saúde (SUS), consagrando a cidade como um dos mais importantes destinos médicos do país.
Essa vocação para a saúde proporcionou à cidade uma economia diversificada, complementando a indústria de calçados. O setor de hospitalidade voltado para acompanhantes de pacientes, restaurantes que oferecem dietas específicas, farmácias com horas de funcionamento estendidas e serviços de apoio formam uma rede que cria empregos fora da indústria calçadista. Com o passar dos anos, o município se consolidou como um centro de saúde de referência para todo o interior paulista, o Triângulo Mineiro e parte do Centro-Oeste.
O que fazer em Jaú?
Um roteiro em Jaú pode ser desfrutado em dois dias, combinando a arquitetura do ciclo do café, a vibrante indústria de calçados e a memória do aviador que cruzou o Atlântico Sul. A maioria das atrações está a menos de 15 minutos do centro.
- Território do Calçado: shopping ao ar livre na SP-225, que abriga cerca de 200 lojas de fábrica, formando o maior aglomerado de calçados femininos da América Latina.
- Igreja Matriz de Nossa Senhora do Patrocínio: construída em 1901, com estilo neogótico e adornos como vitrais e órgão de origem alemã, telhas francesas e piso hidráulico original preservado.
- Centro Histórico: mais de 400 casarões do ciclo do café, protegidos por legislações, com passeios guiados que percorrem as principais ruas em cerca de duas horas.
- Museu Municipal Rafael Toscano: acervo dedicado ao ciclo do café e ao João Ribeiro de Barros, aviador de Jaú que realizou a primeira travessia do Atlântico Sul com o hidroavião Jahú, em 1927.
- Mercado Municipal: um ponto de encontro tradicional, oferecendo pastéis caseiros, produtos frescos da agricultura local e cantinas de culinária italiana.
- Parque do Rio Jaú: uma área verde situada às margens do rio homônimo, com trilhas para caminhada, ciclovias, playgrounds e espaço para eventos ao ar livre.
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Como é o clima em Jaú ao longo do ano?
Jaú possui um clima tropical de altitude a 522 metros, caracterizado por verões quentes e chuvosos, enquanto os invernos são secos e amenos. Os meses mais frescos, entre junho e agosto, são a época favorita dos turistas que visitam o Território do Calçado, quando o calor é mais ameno no final da tarde.
Média: 19-31°C
Chuva: Alta
Passeios matutinos no Parque do Rio Jaú.
Média: 16-28°C
Chuva: Média
Centro Histórico e cantinas italianas.
Média: 12-25°C
Chuva: Baixa
Compras no Território do Calçado.
Média: 17-30°C
Chuva: Média
Feiras culturais e Museu Rafael Toscano.
Temperaturas aproximadas segundo o Climatempo. As condições podem variar.
Jaú: uma cidade que iluminou o Brasil antes da maioria
Jaú é uma cidade que oferece o que poucos municípios médios brasileiros conseguem reunir. Uma tradição histórica no ciclo do café que iluminou suas ruas antes de quase todo o país, um centro histórico digno de preservação com 400 casarões intactos, o maior centro de compras de sapatos femininos da América Latina e um hospital reconhecido por sua excelência em transplantes de medula óssea. Tudo isso ao lado da memória de um aviador de Jaú que atravessou o Atlântico Sul quase um século antes da aviação comercial moderna.
Não perca a oportunidade de explorar Jaú em um fim de semana de inverno, caminhar pelo centro histórico ao entardecer e dedicar uma tarde ao Território do Calçado para descobrir por que essa cidade, que começou com um peixe, se transformou em um dos destinos mais completos do interior de São Paulo.
