Divulgação Unicamp/Replantar
Parque Linear Tiquatira, o pioneiro em parques lineares na cidade de São Paulo
O aposentado Hélio da Silva cultivou mais de 41 mil árvores nas margens do córrego Tiquatira, localizado na Zona Leste de São Paulo, transformando uma área degradada na primeira floresta linear da metrópole paulista. O plantio teve início em 2003, quando o local ainda era um depósito de lixo.
Antes disso, a área também era utilizada como um estacionamento improvisado, mas Hélio desejava uma revitalização. Ele passava pelo córrego diariamente durante suas caminhadas matinais e notava a degradação do espaço. Em uma manhã de novembro de 2003, Hélio decidiu tomar uma atitude e informou sua esposa que buscaria restituir as árvores que ali existiam no passado.
Contudo, o começo do reflorestamento foi desestimulante: as primeiras 200 mudas não sobreviveram mais de três meses; na segunda tentativa, o resultado foi o mesmo. Enquanto muitos teriam desistido, Hélio insistiu e resolveu plantar cinco mil mudas. Para ele, cada árvore perdida era um motivo para substituí-la.
O êxito da floresta linear deve-se a um controle rigoroso das espécies plantadas. Para cada 12 mudas, uma deve ser frutífera, sempre escolhida entre as espécies da Mata Atlântica, como pau-brasil, araçá, amora e cambucá.
A proposta do planejamento ecológico visava atrair pássaros, uma vez que a fauna local estava quase extinta. Hoje, observadores já registraram 45 espécies de aves na área, incluindo tucanos e pica-paus, em um local que antes não tinha vida silvestre.
Oficialmente reconhecido como parque em 2008, o Tiquatira abrange 192 mil m² em uma extensão de 3 quilômetros ao longo do córrego, indo da Marginal Tietê até a Avenida São Miguel. É o maior parque linear da cidade, contando com pista de caminhada, campos de futebol, anfiteatro e pista de skate.
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Hélio da Silva plantando mudas no Parque Linear Tiquatira
Além disso, o parque mantido por Hélio oferece benefícios climáticos, gerando um efeito de amenização do calor. Visitantes do parque comentam sobre as temperaturas mais amenas e percebem a diferença ao deixar o asfalto.
Aos 73 anos, Hélio comparece ao Tiquatira quase diariamente e banca do próprio bolso as mudas, o adubo e o fertilizante. De acordo com o ambientalista, sua nova meta é plantar até 50 mil árvores nos próximos anos.
