Em entrevista à Rádio Cruzeiro FM 92,3, realizada na manhã de ontem (30), a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Natália Resende, destacou os investimentos realizados pelo Governo de São Paulo nas áreas de saneamento básico, preservação dos recursos hídricos e infraestrutura ambiental. Durante a conversa, a secretária enfatizou a inauguração da nova Estação de Tratamento de Água (ETA) de Ibiúna, que ampliará a capacidade de fornecimento de água para o município e apresentou iniciativas visando à segurança hídrica e à adoção de novas tecnologias, como a produção de biometano.
Natália esteve na região para a entrega da nova ETA em Ibiúna, uma obra que fortalece o sistema de abastecimento da cidade. Segundo suas palavras, a estação foi projetada para atender áreas que anteriormente enfrentavam dificuldades no fornecimento de água, especialmente devido ao relevo acidentado do município. “Estamos prestes a inaugurar uma estação de tratamento de água crucial para a cidade. Ela irá beneficiar locais que não tinham água, especialmente as áreas mais elevadas. Ibiúna apresenta grandes desafios em função do seu relevo”, afirmou. A unidade tem capacidade para tratar 50 litros de água por segundo e deve beneficiar mais de 76 mil habitantes.
A secretária ressaltou que esses investimentos são parte de um novo contrato firmado com a Sabesp, que aumentou os recursos destinados à área de saneamento. O planejamento inclui um total de R$ 856 milhões em investimentos para Ibiúna até 2029.
Secretária estadual de Meio Ambiente Natália Resende: “Medidas previstas: proteção e recuperação de mananciais e restauração de áreas degradadas” (crédito: Reinaldo Santos)
Ela também fez uma comparação entre os valores investidos antes e depois da implementação do novo modelo de concessão. Segundo Natália, o investimento médio anual por residente subiu de R$ 127 para R$ 1.357, permitindo a ampliação não apenas das obras de abastecimento de água, mas também da coleta e tratamento de esgoto. “Era necessário aumentar os investimentos tanto na água quanto no esgoto. Isso nos permite garantir melhor qualidade de vida, estabilidade no abastecimento e um tratamento adequado de esgoto”, declarou.
Além disso, ela destacou que a expansão da infraestrutura de saneamento também ajuda a reduzir a poluição dos rios. No último ano, cerca de quatro milhões de pessoas passaram a contar com serviços de coleta e tratamento de esgoto no Estado, resultando em uma diminuição de 22% na carga orgânica despejada no Rio Tietê.
Planejamento
Durante a entrevista, Natália Resende destacou que as iniciativas da secretaria buscam integrar as obras de infraestrutura com a preservação ambiental e a adaptação às alterações climáticas. O Estado está avaliando todas as bacias hidrográficas para determinar prioridades de intervenção.
Ela explicou que o planejamento leva em conta os impactos dos eventos climáticos extremos, que têm acarretado tanto longas secas quanto chuvas intensas em diversas regiões. “Atualmente, muitas cidades enfrentam escassez de água ao mesmo tempo em que lidam com enchentes. Portanto, precisamos abordar tudo de maneira integrada”, esclareceu.
Essas iniciativas fazem parte da Estratégia Climática de São Paulo, que possui um planejamento até 2050. As medidas incluem a proteção e recuperação de mananciais, a revitalização de áreas degradadas e o fortalecimento da segurança hídrica.
A meta inicial era recuperar 37,5 mil hectares até 2026, mas o Estado já está próximo de atingir 45 mil hectares recuperados através de diversas atividades ambientais.
Natália também mencionou investimentos em obras estruturantes voltadas para o abastecimento de água, como o projeto da barragem do Piraí, desenvolvido em parceria com o consórcio envolvendo Itu, Salto e Indaiatuba. Essa obra deve garantir segurança hídrica para mais de 700 mil pessoas e prevê ações de restauração ecológica e a criação de um parque linear ao longo do Rio Jundiaí.
Despoluição dos rios
Outro assunto abordado foi o programa ‘Integra Tietê’, destinado a coordenar as ações de recuperação ao longo dos 1.136 quilômetros do Rio Tietê.
Conforme a secretária, o Estado está realizando o desassoreamento dos rios e a destinação adequada dos resíduos removidos. Ela explicou que a maior parte desse material não apresenta contaminação e pode ser reutilizada em processos que seguem o conceito de economia circular.
Natália afirmou que aproximadamente seis milhões de metros cúbicos de sedimentos e resíduos já foram retirados dos rios Tietê e Pinheiros, incluindo pneus, carcaças de veículos e outros materiais descartados de maneira inadequada.
Biometano
Foi mencionado também o progresso na produção de biometano em São Paulo, visto como uma das principais apostas para expandir a matriz energética do estado de maneira sustentável.
Ela explicou que esse combustível é obtido a partir do aproveitamento de resíduos orgânicos, especialmente os provenientes do setor sucroenergético e dos aterros sanitários. Inicialmente, esses resíduos geram biogás, que é utilizado nas próprias unidades de processamento. Após um processo de purificação, transforma-se em biometano, que pode ser injetado na rede de distribuição de gás ou utilizado como combustível para veículos pesados.
De acordo com Natália, estudos realizados pelo Estado indicam um potencial de produção de até 6,4 milhões de metros cúbicos de biometano diariamente. Destes, cerca de 84% podem ser originados do setor sucroenergético e os demais 16% dos resíduos sólidos urbanos. “Temos uma capacidade no Estado de São Paulo de alcançar 6,4 milhões de metros cúbicos por dia. Isso representa o abastecimento de metade da indústria local através do biometano”, afirma.
Como exemplo, ela citou Presidente Prudente, que se tornou a primeira cidade do Brasil a receber biometano gerado a partir do bagaço e da vinhaça da cana-de-açúcar para suprir residências e comércios.
Para a secretária, a utilização energética de resíduos representa um dos exemplos de economia circular que estão em andamento no Estado, diminuindo a destinação de materiais para aterros sanitários e aumentando a oferta de energia renovável para o setor industrial e de transportes.
Visita
Na imagem, da esquerda para a direita: Carlos Hingst Corrá, diretor presidente da Diretoria Executiva da FUA; Natália Resende, secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil); e Rubens Cury Basso, diretor editorial da FUA (crédito: Reinaldo Santos)
Antes de sua agenda em Ibiúna, a secretária Natália Resende visitou a Fundação Ubaldino do Amaral (FUA), responsável pela manutenção do jornal Cruzeiro do Sul e do Colégio Politécnico. Ela foi recebida por Carlos Hingst Corrá, diretor-presidente, e Rubens Cury Basso, diretor editorial. Durante o encontro, discutiram-se assuntos relacionados aos investimentos em infraestrutura, saneamento e conservação ambiental no Estado.
Para assistir à entrevista completa, clique no seguinte LINK: Assista aqui.
