O Espírito Santo está prestes a inaugurar mais um parque estadual, e desta vez com um objetivo fundamental: preservar uma das aves mais raras do mundo. O governo estadual anunciou a formação do Parque Estadual Saíra-Apunhalada (Pesa), uma unidade voltada para a proteção da saíra-apunhalada (Nemosia rourei), uma espécie criticamente ameaçada de extinção e endêmica da Mata Atlântica no estado.
Situado em Vargem Alta, o novo parque contará com uma área total de 234,6 hectares preservados, ocupando um espaço estratégico entre duas importantes Reservas Particulares do Patrimônio Natural: a Reserva Águia Branca e a Reserva Kaetés.
Essa localização proporciona conectividade ecológica à região, reforçando a proteção do contínuo florestal conhecido como Mata de Caetés, que é considerado um dos refúgios mais significativos da biodiversidade do Espírito Santo.
A criação do Pesa visa garantir habitats essenciais para a saíra-apunhalada e outras espécies em risco, além de proteger fontes hídricas vitais, como nascentes, mananciais e áreas de recarga da sub-bacia do Ribeirão Caetés, que abastece o Rio Itapemirim.
Estão previstas ações para promover o uso público sustentável, permitindo turismo ecológico, observação da natureza e atividades de educação ambiental, desde que estejam em consonância com a conservação do ecossistema.
Espécies em risco
Além da ave que nomeia o parque, a região abriga 14 espécies da fauna que também estão ameaçadas de extinção, como a abelha-uruçu-capixaba, o bagre-de-caetés, o sapinho-pingo-de-ouro, o cágado-da-serra, além de aves como o gavião-pombo-pequeno, o apuim-de-costas-pretas, a araponga e o papo-branco.
Mamíferos como o sagui-da-serra, o sauá, a preguiça-de-coleira e o ouriço-preto também fazem parte da rica diversidade local.
No que tange à flora, foram registradas 17 espécies ameaçadas, incluindo Philodendron vargealtense, classificada como Criticamente Ameaçada (CR), além de outras em categorias de risco elevado e vulnerável.
Ao todo, o conjunto de fauna e flora ameaçadas soma 31 espécies, ressaltando a importância ecológica excepcional da região agora sob proteção.
Decreto
O decreto também institui uma zona de amortecimento de cerca de 1.535 hectares nos municípios de Vargem Alta e Castelo, onde as atividades poderão ocorrer apenas se estiverem alinhadas aos objetivos da unidade.
As propriedades particulares localizadas dentro do território do parque foram declaradas de utilidade pública para fins de desapropriação, que será realizada pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), o órgão responsável pela administração da unidade.
Um conselho consultivo será constituído, garantindo a participação social e técnica no processo de implementação e monitoramento do parque.
Com a fundação do Parque Estadual Saíra-Apunhalada, o Espírito Santo dá um importante passo em direção à proteção da Mata Atlântica e à recuperação da espécie que nomeia a unidade, considerada uma das aves mais raras e difíceis de serem avistadas no mundo.
O decreto que oficializa a criação do novo parque foi publicado no Diário Oficial do Espírito Santo em 28 de novembro de 2025.
