300 cavernas, o maior pórtico do mundo reconhecido pelo Guinness e Patrimônio da UNESCO: descubra o parque paulista pouco conhecido a 320 km da capital.

Na parte mais austral do estado de São Paulo, entre as localidades de Iporanga e Apiaí, encontra-se o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR). Este destino abriga mais de 300 cavernas que possuem uma idade impressionante de 600 milhões de anos, além de preservar a maior área contínua da Mata Atlântica no Brasil e o maior pórtico de caverna do mundo. A UNESCO reconheceu a região como Reserva da Biosfera e como Patrimônio Natural da Humanidade, no entanto, o parque ainda é pouco explorado fora do circuito de ecoturismo paulista.

Patrimônio da Humanidade segundo a UNESCO

Estabelecido em 1958 pela Administração do Estado de São Paulo, o PETAR ocupa uma área de 35.712 hectares da Mata Atlântica na Serra de Paranapiacaba. De acordo com a Semil, o parque contém a maior densidade de cavernas em uma única unidade de conservação no Brasil, com mais de 441 registradas só em Iporanga. Embora mais de 300 cavernas sejam catalogadas, apenas 12 estão abertas ao público; as demais são restritas a estudos acadêmicos e preservação.

A região faz parte da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, classificada pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade. A proteção abrange também importantes sítios arqueológicos que datam de até 10 mil anos, sambaquis entre 3 e 10 mil anos e indicações de comunidades ceramistas com mais de 2 mil anos de história.

Petar, São Paulo // Créditos: Wikipedia

O que explorar nos quatro núcleos do parque?

O PETAR é dividido em quatro núcleos, cada um oferecendo atividades exclusivas e diferentes níveis de complexidade. Para visitar qualquer caverna, a presença de um guia autorizado é obrigatória, conforme as normas do parque. Os ingressos e agendamento dos guias estão disponíveis no site oficial.

  • Núcleo Santana: Este é o núcleo mais frequentado, localizado no Vale do Betari, próximo ao Bairro da Serra, em Iporanga. Concentra as principais atrações turísticas, como cavernas, trilhas e cachoeiras. A Caverna de Santana, com uma extensão superior a 8 km (a maior do estado), possui passarelas, escadas e impressionantes formações de estalactites e estalagmites. A Caverna da Água Suja envolve atravessar o Rio Betari, com áreas onde a água pode chegar à cintura e desvio de estalactites próximas à superfície. Além disso, neste núcleo se encontram as Cachoeiras das Andorinhas e do Beija-Flor.
  • Núcleo Ouro Grosso: Também situado no Bairro da Serra, conta com um centro de educação ambiental e um pequeno museu que exibe utensílios tradicionais. A Caverna do Ouro Grosso é considerada uma das mais desafiadoras do parque, apresentando trechos que exigem escalada e rapel.
  • Núcleo Casa de Pedra: Este núcleo abriga a Caverna Casa de Pedra, reconhecida pelo Guinness Book como tendo o maior pórtico de caverna do mundo, com cerca de 215 metros de altura. Embora o interior da caverna não esteja aberto para visitação enquanto aguarda a finalização do Plano de Manejo Espeleológico, a trilha de 3 horas até o pórtico compensa o esforço. A vista do portal, cercado pela Mata Atlântica, é de tirar o fôlego.
  • Núcleo Caboclos: O menos estruturado dos quatro, não possui energia elétrica ou pousadas. Abriga a Caverna Desmoronada, que atravessa uma montanha, permitindo a entrada de raios de luz pela boca maior, além da Pedra do Chapéu, uma formação rochosa que parece equilibrar-se apenas em dois pontos, adornada por bromélias.

Petar, São Paulo // Créditos: Wikipedia

Mais do que cavernas: cachoeiras, boia-cross e culturas quilombolas

Embora as cavernas sejam o principal atrativo, o PETAR oferece muito mais. O Rio Betari atravessa o parque e proporciona a atividade de boia-cross, que consiste em travessias emocionantes entre corredeiras, uma das experiências mais populares. Na região, mais de 20 cachoeiras foram catalogadas, muitas com quedas superiores a 50 metros e formações de piscinas naturais de água cristalina.

O Vale do Ribeira também abriga comunidades quilombolas com ricas tradições, herdeiros de índios, portugueses e africanos, que continuam a praticar a cerâmica, a cestaria e os conhecimentos sobre plantas medicinais. O contato com essas comunidades é uma parte essencial da experiência cultural do parque e pode ser organizado através de operadoras locais.

Se você deseja conhecer um dos mais incríveis destinos de ecoturismo do Brasil, não perca este vídeo do canal Rolê Família, que conta com mais de 64 mil visualizações. Nele, os criadores compartilham um itinerário de quatro dias no PETAR, apresentando as cavernas impressionantes, cachoeiras deslumbrantes e dicas valiosas sobre a necessidade de guias especializados, equipamentos e logística do local.

Quando visitar e qual é o clima?

O clima na região é tropical úmido, com precipitações concentradas no verão. A melhor época para explorar as cavernas e trilhas é durante a temporada seca, de maio a setembro: as estradas de terra tornam-se mais acessíveis, diminui o risco nas trilhas e há menos água nas cavernas, facilitando a exploração. Embora no verão as cachoeiras apresentem um volume maior e uma vegetação exuberante, as estradas de terra podem ser desafiadoras.

Maio a Setembro

14°C a 24°C

☀️ Chuva Baixa

A época mais ideal para visitação! Neste período, as águas diminuem, favorecendo o turismo subterrâneo. As estradas firmes proporcionam o melhor acesso para exploração de cavernas, trilhas e boia-cross.

⭐ CÉU ABERTO E SECO

Outubro a Abril

18°C a 28°C

☔ Chuva Alta

Temporada de chuvas intensas. Apesar dos caminhos de terra ficarem mais complicados, essa é a época perfeita para admirar cachoeiras em seu volume máximo e uma flora exuberante.

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Temperaturas aproximadas baseadas no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao parque?

O PETAR encontra-se a aproximadamente 320 km da cidade de São Paulo, com duas rotas principais de acesso. A maneira mais rápida é seguir pela BR-116 (Régis Bittencourt) até Jacupiranga, depois pela SP-193 até Eldorado e finalmente pela SP-165 até Iporanga, onde os últimos 13 km são em estrada de terra. A segunda opção é pela Castelo Branco até Apiaí, e em seguida, por uma estrada de terra até os núcleos, sendo um trecho final de 27 km sem asfalto. É essencial ter um carro com boa suspensão, especialmente durante os períodos de chuva. Não existem aeroportos nas proximidades, com o mais próximo sendo o de Curitiba (CWB), situado a cerca de 120 km.

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Um parque que ainda precisa ser descoberto pelo Brasil

O PETAR abriga o maior pórtico de caverna do mundo, além de ser Patrimônio Natural da Humanidade reconhecido pela UNESCO, com 600 milhões de anos de geologia calcária e a maior extensão contínua de Mata Atlântica em São Paulo. Localizado a apenas 320 km da capital, o acesso é feito por uma estrada que termina em chão batido, elemento que contribui para a preservação do parque e torna a experiência ainda mais valiosa.

É fundamental conhecer o PETAR e vivenciar a sensação de adentrar em uma caverna nas profundezas de 600 milhões de anos, uma das experiências mais marcantes que São Paulo pode oferecer.





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